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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Bem aventurados os pobres em espírito

Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense 
Sermão 1, de Todos os Santos 


Todos os homens, sem exceção, desejam a felicidade, a bem-aventurança. Mas têm sobre ela ideias diferentes: para um, a felicidade está na voluptuosidade dos sentidos e na suavidade de vida; para outro, está na virtude; para outro ainda, está no conhecimento da verdade. É por isso que Aquele que ensina todos os homens [...] começa por recuperar os que se afastaram, orientando os que se encontram no caminho certo, e abrindo a porta aos que batem. [...] Assim, pois, Aquele que é «o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6) recupera, orienta e abre a porta, e começa a fazê-lo dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito». 

A falsa sabedoria deste mundo, que na realidade é loucura (1Cor 3,19), pronuncia-se sem compreender o que diz, considerando bem-aventurados «os filhos do estrangeiro, cuja boca só diz mentiras, e cuja direita jura falso», porque os celeiros deles «estão fornecidos com todas as espécies, os seus rebanhos multiplicam-se aos milhares, em dezenas de milhares os seus campos» (Sl 143,11-13). Mas todas estas riquezas são incertas, a paz deles não é a paz (Jer 6,14), a alegria deles é estúpida. Pelo contrário, a Sabedoria de Deus, o Filho por natureza, a mão direita do Pai, a boca que fala verdade, proclama felizes os pobres, que estão destinados a ser reis do reino eterno. Ele parece dizer: «Procurais a bem-aventurança, mas ela não se encontra onde a procurais; correis, mas correis fora do caminho. Eis o caminho que conduz à felicidade: a pobreza voluntária por minha causa, é esse o caminho. O reino dos céus em Mim, eis a bem-aventurança. Correis muito, mas mal; quanto mais depressa avançais, mais vos afastais da meta.» 

Não temamos, irmãos. Somos pobres, ouçamos a palavra do Pobre, que recomenda a pobreza aos pobres. Podemos acreditar na sua experiência: tendo nascido pobre, Ele viveu pobre e pobre morreu. Nunca quis enriquecer; antes aceitou morrer. Acreditemos, pois, na Verdade que nos indica o caminho que conduz à vida. Trata-se de um caminho árduo, mas curto; e a felicidade é eterna. O caminho é estreito, mas conduz à vida (Mt 7,14).

Fonte: Evangelho Cotidiano

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Tudo o que ligares na terra será ligado no céu.

Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense 


Tudo se torna comum entre o Esposo e a esposa, isto é, entre Cristo e a sua Igreja, incluindo a honra de receber a confissão e o poder de perdoar os pecados; assim se explicam aquelas palavras: «Vai mostrar-te ao sacerdote» (Mt 8,4). [...] Por conseguinte, a Igreja nada pode perdoar sem Cristo, e Cristo nada quer perdoar sem a Igreja. A Igreja não pode perdoar senão a quem se arrepende, isto é, a quem Cristo tocou com a sua graça; e Cristo não quer perdoar a quem despreza a Igreja. 

Cristo, que é todo-poderoso, tudo pode por Si mesmo: baptizar, consagrar a Eucaristia, conferir o sacramento da ordem, perdoar os pecados, e tudo o mais; mas o Esposo, que é humilde e fiel, nada quer fazer sem a esposa. «Não separe o homem o que Deus uniu» (Mt 19,6). «É grande este mistério; mas eu interpreto-o em relação a Cristo e à Igreja» (Ef 5,32). [...] Não separes, portanto, a Cabeça do corpo (Col 1,18); não impeças a acção do Cristo total; porque nem Cristo é total sem a Igreja, nem a Igreja é total sem Cristo. O Cristo total e inteiro é a Cabeça e o corpo.

Fonte: Evangelho Cotidiano