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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Vinde ao banquete de núpcias

São Tiago de Sarug (c. 449-521), monge e bispo sírio 
Homilia sobre o véu de Moisés 

As mulheres não estão tão fortemente unidas aos maridos como a Igreja está ao Filho de Deus. Que esposo, para além de Nosso Senhor, morreu jamais por sua esposa, que esposa escolheu jamais um crucificado como esposo? Quem deu jamais o seu sangue como presente a sua esposa, senão Aquele que morreu na cruz, selando a união nupcial por meio das suas chagas? Quem se viu jamais morto e jacente no banquete das próprias núpcias, com a esposa a seu lado, pedindo para ser consolada? Em que festa, em que banquete, senão neste, se distribuiu aos convivas, sob a forma de pão, o corpo do esposo? 

A morte separa as esposas dos maridos, mas neste caso une a Esposa a seu Bem-Amado. Ele morreu na cruz, deixando o seu corpo a sua gloriosa Esposa; agora, Ela toma-O em alimento todos os dias à sua mesa. Alimenta-se dele sob a forma de pão e sob a forma de vinho, para que o mundo reconheça que já não são dois, mas um só.



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Cristo e a Igreja, sua esposa. São Tiago de Sarug

São Tiago de Sarug (c. 449-521), monge e bispo sírio
Homilia sobre o véu de Moisés

O Reino do Céu é comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho

Nos Seus desígnios misteriosos, o Pai tinha preparado uma esposa para o Seu Filho único e tinha-lha apresentado sob as imagens da profecia. [...] Moisés escreveu no seu livro que «o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2,24). O profeta Moisés falou-nos nesses termos do homem e da mulher para anunciar Cristo e a Sua Igreja. Com olhar agudo de profeta, viu Cristo tornar-Se um com a Igreja, graças ao mistério da água: viu Cristo atrair a Si a Igreja desde o seio virginal, e a Igreja atrair a si a Cristo na água do baptismo. O Esposo e a Esposa ficaram assim inteiramente unidos duma maneira mística; foi por isso que Moisés, com a face velada (Ex 34,33), contemplou Cristo e a Igreja: a um chamou «homem» à outra «mulher», para evitar mostrar aos hebreus a realidade em toda a sua clareza. [...] O véu ainda cobriria esse mistério durante algum tempo: ninguém conhecia o significado dessa grande imagem; ignorava-se o que ela representava.


Depois da celebração das núpcias, veio Paulo. Viu o véu que cobria todo esse esplendor, e levantou-o, para revelar Cristo e Sua Esposa ao mundo inteiro. Mostrou que era mesmo a eles que Moisés tinha descrito na sua visão profética. Exultando de divina alegria, o apóstolo proclamou: «Grande é este mistério» (Ef 5,32). Revelou o que representava essa imagem velada a que o profeta chamava homem e mulher: «Eu interpreto-o como sendo Cristo e a Igreja; [...] serão os dois uma só carne» (cf Ef 5,31).