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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Northrop Frye, a universidade, a mídia e o politicamente correto.







"(...) a universidade é tomada por pessoas de personalidade insegura e medíocre que se escondem atrás de teorias consagradas a fim de garantir seu espaço "intelectual" nas instituições do conhecimento. Não apenas as universidades, mas também a mídia é povoada por pessoas que afirmam o que a maioria quer ouvir, porque isso garante adesões e reduz riscos de confronto."

Northrop Frye, apud Pondé, Luiz Felipe. Guia politicamente incorreto da Filosofia. 

domingo, 9 de setembro de 2012

A INTELIGÊNCIA E O BOM-SENSO SÃO ARISTOCRÁTICOS (NÃO RARO, A POPULARIZAÇÃO ASSUME CORES DE BANALIZAÇÃO E O EFÊMERO É ELEVADO AO NÍVEL DO VALOR)

Desabafo do amigo Paulo Henrique Cremoneze no Facebook. Sintetiza e exterioriza a indignação de muitos  católicos que como ele, são  também escrachados, perseguidos, caluniados por relativistas, marxistas, politicamente corretos, etc., no mundo virtual (e real) por simplesmente exporem sua Fé.

Impressionante o excesso de sensibilidade que ronda o FB. Aliás, com perdão por aparente esnobismo, o FB anda muito Orkut para o meu gosto. Basta publicar algo que diga respeito à defesa da honra, da moral, da tradição, dos valores em geral e uma saraivada de críticas é disparada com raiva canina.

O patrulhamento ideológico dos partidários do relativismo moral é sufocante, opressivo, cáustico. Se a publicação for relativa à Igreja Católica, pior ainda. E se for a respeito do santo Padre, o Papa Bento XVI, então é um "Deus-nos-acuda". Publiquei algo voltado aos católicos, elogiando a qualidade de Bento XVI como teólogo, nada além, nada aquém, mesmo assim o caos se fez presente por meio de vários comentários infelizes. 

Haja paciência, haja bondade e haja misericórdia. Não foi uma publicação sobre o Papa defendendo a liturgia, as tradições da Igreja, a família tradicional, etc., enfim, não tratava de assunto sensível algum. Uma mera publicação elogiando-o como teólogo, só isso. Aí surge um e diz que o pensamento teológico do Papa não tem validade porque muito influenciado pela doutrina da Igreja Católica.... dá para acreditar!!!!!????????? Ele é o Papa, chefe de estado e chefe de governo da cidade do Estado do Vaticano, um estado teocrático e é o líder espiritual de quase dois bilhões de católicos de todo o mundo... sua teologia há de ser inspirada em que doutrina religiosa? A xintoísta? A hindu? A mulçumana? Ora, por favor... o pior é que quem fez tal afirmação NUNCA se deu ao trabalho de ler um artigo sequer do Papa, quiçá uma obra (um Papa que é estimado por intelectuais protestantes e judeus) e se põe a falar o que não sabe. E tanto não sabe que o Papa conhece muito sobre outras religiões, talvez mais que a maioria dos seus próprios partidários. É um defensor do diálogo ecumênico, sem perdas de identidades, e do diálogo inter-religioso. Seu melhor amigo fora dos meios eclesiais, aliás, é um teólogo luterano, famoso professor universitário alemão.

Mas, segundo o sujeito em questão, o Papa é intolerante e, pasmem, muito católico. Pergunto novamente, dá para acreditar? Depois, surge outro, completamente alucinado, que efetivamente não leu o que de fato escrevi nos comentários, e desfere agressões gratuitas à mim e a Santa Igreja, fazendo uso de toda sorte de adjetivos indecorosos e levianos, e sentindo-se autorizado a fazer uma rota e puída análise psicológica a meu respeito. Não, não dá para ser manso e humilde com um sujeito assim, desqualificado em todos os sentidos. 

Sei que a minha afirmação não é nada cristã, mas reconheço que preciso e muito melhorar no caminho rumo à santidade de vida. Por enquanto, o simples fato de apenas bloquear o pobre coitado já foi muito para mim. Segurar a mão e escrever o que senti vontade de escrever foi uma vitória monumental. Talvez a inveja o tenha instigado a agredir tanto. Pois é, as pessoas agem por inocência, impulso jocoso, ignorância e às vezes por má-fé. 

Todo o mundo tem o direito de opinar e todo o mundo pode estar certo ou errado. Eu já errei, já fui agressivo, já me retratei. Não fui, contudo, leviano em momento algum. Não é a contenda que me irrita, tampouco o debate. Não tenho melindres e agüento pancadas, algumas até merecidas, numa análise sincera de consciência. E quem escreve, quem se expõe está sujeito a isso mesmo. Não reclamo disso e não é essa a essência deste meu desabafo. 

O que me irrita é a má-fé, a vulgarização ou a marmorização da inteligência. Quem não sabe ler, o chamado analfabeto funcional, não pode opinar. Tem que ficar quieto, instruir-se mais ou, aceitando sua mediocridade, esforçar-se para melhorar. É um fato que muito aproveita quem o leva em conta: não se deve opinar sobre o que não se sabe, muito menos atacar com base em falsas premissas e deformação da verdade. 

O falecido cardeal Álvaro Portillo, um elegante sacerdote espanhol, disse que a pior mentira é uma meia-verdade. Pois é.... nessa esteira, ouso afirmar, correndo o risco de ser indevidamente interpretado, que existem espaços onde a tal “democratização” se transforma em banalização.... pode ser pedante o que afirmarei agora, mas a aristocracia do bom-senso precisa ocupar espaços, urgentemente. Afinal, o Deus que é amor, Jesus, que deu a vida na cruz, foi claro e taxativo, como nos mostra a santa Bíblia: não devemos atirar pérolas aos porcos.... estou cansado, enfatizo, cansado de tanta coisa sem sentido... viva o Brasil “socialista”, o que eleva o efêmero ao nível do valor.... vivemos tempos, como disse Pondé, de “churrasco na laje” e eu ouso acrescentar: “rodas de pagode e festas ao som de música sertaneja, bermudões e chinelos, o Brasil da vulgaridade, o Brasil das telenovelas como fontes culturais, o Brasil do falso intelectualismo, do pensamento comum, vulgar, medíocre, dos líderes semi-alfabetizados ou guerrilheiros, dos mensaleiros, dos universitários usuários de drogas e vestidos com camisetas do Che Guevara, o Brasil em que uma “Paulo Coelhada” tem mais valor do que a doutrina de um pensador, um filósofo, um homem compromissado com a verdade, seja no meio religioso, seja no meio social em geral”. 

Às vezes penso em me calar, recolher-me, afinal, modéstia à parte, dentro do um microuniverso, ainda que periférico, tenho um nome e uma imagem a zelar, mas o silêncio, o silêncio referente ao bom combate, não é o meu estilo e ele seria subconscientemente interpretado como covardia, recuo não estratégico, mas acomodamento puro. Por isso, vencido este desabafo, seguirei adiante, rezando pelas almas dos opositores, claro, mas com um porrete na mão DIREITA à espera, pois é marcial isso, “ao inimigo com sede no deserto, areia goela abaixo”.

Paulo Henrique Cremoneze

terça-feira, 10 de abril de 2012

Tentação totalitária

Luiz Felipe Pondé
Você se considera uma pessoa totalitária? Claro que não, imagino. Você deve ser uma pessoa legal, somos todos.

Às vezes, me emociono e choro diante de minhas boas intenções e me pergunto: como pode existir o mal no mundo? Fossem todos iguais a mim, o mundo seria tão bom... (risadas).

Totalitários são aqueles skinheads que batem em negros, nordestinos e gays.

Mas a verdade é que ser totalitário é mais complexo do que ser uma caricatura ridícula de nazista na periferia de São Paulo.

A essência do totalitarismo não é apenas governos fortes no estilo do fascismo e comunismo clássicos do século 20.

Chama minha atenção um dado essencial do totalitarismo, quase sempre esquecido, e que também era presente nos totalitarismos do século 20.

Você, amante profundo do bem, sabe qual é? Calma, chegaremos lá.

Você se lembra de um filme chamado "Um Homem Bom", com Viggo Mortensen, no qual ele é um cara legal, um professor universitário não simpatizante do nazismo (o filme se passa na Alemanha nazista), e que acaba sendo "usado" pelo partido?

Pois bem. Neste filme, há uma cena maravilhosa, entre outras. Uma cena num parque lindo, verde, cheio de árvores (a propósito, os nazistas eram sabidamente amantes da natureza e dos animais), famílias brincando, casais se amando, cachorros correndo, até parece o Ibirapuera de domingo.

Aliás, este é um dos melhores filmes sobre como o nazismo se implantou em sua casa, às vezes, sem você perceber e, às vezes, até achando legal porque graças a ele (o partido) você arrumaria um melhor emprego e mais estabilidade na vida.

Fosse hoje em dia, quem sabe, um desses consultores por aí diria, "para ter uma melhor qualidade de vida".

E aí, a jovem esposa do professor legal (ele acabara de trocar sua esposa de 40 anos por uma de 25 - é, eu sei, banal como a morte) o puxa pelo braço querendo levá-lo para o comício do partido que ia rolar naquele domingão no parque onde as famílias iam em busca de uma melhor qualidade de vida.

Mas ele não tem nenhuma vontade de ir para o comício porque sente um certo "mal-estar" com aquilo tudo. Mas ela, bonita, gostosa, loira, jovem e apaixonada (não se iluda, um par de pernas e uma boca vermelha são mais fortes do que qualquer "visão política de mundo"), diz: "Meu amor, tanta gente junta querendo o bem não pode ser tão mau assim".

É, meu caro amante do bem, esta frase é uma das melhores definições do processo, às vezes invisível, que leva uma pessoa a ser totalitária sem saber: "Quero apenas o bem de todos".

Aí está a característica do totalitarismo que sempre nos escapa, porque ficamos presos nas caricaturas dos skinheads: aquelas pessoas, sim, se emocionavam e choravam diante de tanta boa vontade, diante de tanta emoção coletiva e determinação para o bem.

Esquecemos que naqueles comícios, as pessoas estavam ali "para o bem".

Se você tem absoluta certeza que "você é do bem", cuidado, um dia você pode chorar num comício achando que aquilo tudo é lindo e em nome de um futuro melhor.

E se essa certeza vier acompanhada de alguma "verdade cientifica" (como foi comum nos totalitarismos históricos) associada a educadores que querem "fazer seres humanos melhores" (como foi comum nos totalitarismos históricos) e, finalmente, se tiver a ambição política, aí, então, já era.

Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando ciência (o ideal da verdade), educação (o ideal de homem) e política (o ideal de mundo), estamos diante da essência do totalitarismo.

O que move uma personalidade totalitária é a certeza de que ela está fazendo o "bem para todos", não é a vontade de destruir grupos diferentes do dela.

Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do "bem total", depois você vira autoritário em nome desse bem total.

O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um "outro bem", mas a dúvida acerca do que é o bem, aquilo que desde Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes políticas.

Não confio em ninguém que queira criar um homem melhor.

Luiz Felipe Pondé, para a Folha de São Paulo, em 18/07/2011.