Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de junho de 2008


Há uns dois sábados atrás, teve ordenação na Catedral. Ordenação de três diáconos. Matheus, meu filho mais velho, ajudou como acólito. O garoto estava radiante. Estava, talvez tão feliz quanto quanto os novos diáconos. Para ele foi algo incomum. Servir à Igreja numa festa tão bonita. Trabalhou das nove horas até às treze e trinta. Depois foi recompensado com os outros acólitos com um belo almoço no Seminário Diocesano. Mas quem mais fica feliz com tudo isso, sou eu. É gratificante para um pai católico ver seus filhos envolvidos com a Santa Igreja. Numa época tão anticatólica, é algo esperançoso.

Ainda neste dia pude ter outra satisfação: logo após deixar o Matheus na Catedral e levar minha mãe até o Banco, dei a volta no Largo. A rua lateral à Catedral estava com o transito congestionado. Bem lento, devido aos ônibus e carros que despejavam pessoas para a missa de ordenação. Muita gente de fora. Muitos padres. Novos e veteranos. Como o transito estava lento, acendi um Benson&Hedges mentolado e acompanhava tranqüilamente o vagaroso movimento dos carros. Aproximando-me do final da Catedral e próximo ao Seminário, percebo que um padre "novinho" usando um terno negro e clergyman abençoava os motoristas da frente. E isto exatamente porque estava caracterizado devidamente como um sacerdote da Igreja Católica. Ao passar ao lado dos carros, os motoristas pediam-lhe a benção. E ele prontamente assinaláva-os com o sinal da cruz. E o que mais me impressionou foi a alegria estampada no rosto do jovem sacerdote. Não pestanejei. Assim que o padre passou ao meu lado, logo roguei a ele: Sua benção, padre!

Se nossos sacerdotes soubessem a importância de se identificarem como tais, jamais deixariam de usar ao menos o clergyman.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Assim na Terra como no Céu


Por Affonso Romano de Sant'Anna(1)


Estado de Minas, segunda-feira, 29 de maio de 2006

Você pode virar pastor e fundar sua própria igreja como rentável negócio terrestre e celeste em apenas 90 dias. Está lá no anúncio da Assembléia de Deus: "Formação de pastor a R$ 600, mestre em Bíblia a R$ 1.300 e doutor em divindade R$ 1.500. Faça o curso por correspondência e tenha a sua própria igreja! Em 90 dias, receba o diploma e a carteirinha em casa".

Leio uma reportagem no Jornal do Brasil que diz que esse é um próspero investimento. As igrejas assim fundadas movimentam R$ 3 bilhões por ano e geram 2 milhões de empregos. É o negócio da fé daqueles que acreditam com fé neste negócio. Não é à toa que isto já está mobilizando 30 milhões de fiéis. Eu diria, "sócios" em vez de fiéis.

Como alguns leitores sabem, este cronista que vos aborrece teve uma formação protestante e, portanto, tem um certo conhecimento do que está falando. Estava até predestinado a ser pastor. Mas naquele tempo, as igrejas protestantes (que não se confundem com essas "seitas evangélicas" de hoje) eram uma meia dúzia só. E não havia pastor rico. E a preparação de um pastor era algo mais sério. Começava como "aspirante ao ministério" na adolescência. Depois enfrentava mais seis anos de Faculdade de Teologia, na qual se estudava até grego.

Agora acabo de saber que existe o "kit pastor". Você vira pastor pela internet, conforme modelo propalado pela Igreja Universal, que para isto tem apostilas e CDs.

Quão distante estamos do tempo dos profetas bíblicos em que Samuel ouvia a voz que o chamava vocacionalmente, quando Moisés ouvia o Senhor na sarça ardente e quando São João Batista, ouvindo também o chamado celeste, ia viver no deserto comendo gafanhoto e mel silvestre.

É aterrorizante o que leio sobre o "kit pastor": "O curso tem cinco módulos. No primeiro, o aluno tem aulas de história da religião. Depois recebe noções de administração para aplicar na igreja. Em seguida, os pastores aprendizes têm aulas de oratória e aprendem técnicas de persuasão. A última parte do curso é jurídica".

Em muitos desses programas de televisão, que se pretendem religiosos, percebe-se claramente que houve uma inversão no discurso: os pastores estão prometendo a felicidade aqui na Terra, não mais lá no Céu. É um detalhe importantíssimo. É como se esse papo de eternidade tivesse perdido seu charme. Então, prometem que quem mais colabora dando dinheiro, mais rico vai ficar aqui mesmo. É um discurso mais eficaz. Porque deixar para depois, para o improvável? Vamos tentar agora. Acho que o Procon deveria cuidar deste problema, já que cuida dos direitos do consumidor diante de propaganda e produtos enganosos.

E nisto tudo há ainda outro detalhe econômico. Como abrir uma igreja implica isenção de tributos e como há sempre pessoas ingênuas e carentes, o negócio é dos melhores. Um grande negócio. Assim na Terra como no Céu. Amém.

(1)AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA - 69 anos, mineiro de Belo Horizonte, poeta, cronista, conferencista e escritor, diplomado pela Faculdade de Letras de BH, professor de literatura brasileira na Universidade da Califórnia (EUA) e Colônia (Alemanha)

Fonte: Editora Cléofas

sábado, 9 de junho de 2007


Sexta-feira, por volta das 17 horas, parei o carro em frente a casa de minha sogra. Rotineiramente. A Helen desceu. Vi o Pe. Vicente estacionando seu carro logo mais à frente. Haverá missa na Igreja das Dores, pensei. Desci do carro e ao invés de entrar na casa da sogra, caminhei para a Igreja.

A pequena igreja, construida em 1799, estava quase vazia. No máximo umas 20 pessoas. Pensei com meus botões: bem que o padre poderia nos oferecer a Santíssima Eucaristia sob as duas espécies. Pensamento rápido, sem maiores pretenções. Em seguida já estava compenetrado na Santa Missa.

E não é que na hora de recebermos a Comunhão, o Pe. Vicente nos convida a receber a Hóstia Santa embebida no Sangue?

Sei que quando recebemos apenas o Pão, alí está transubstanciado o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus, Nosso Deus e Senhor. Mas quando recebo sob as duas espécies, sempre sinto uma sensação diferente. Quero sentir aquele sabor por muito tempo em minha boca. Só que é muito rápido. Mas é maravilhoso.

Comunguei e fiquei de joelhos em meu lugar. Só que não conseguia e não mais queria me levantar. Sentia-me tão bem, que queria prolongar infinitamente aquele momento. O padre aspergiu agua benta em todos, deu a benção final, a cantora terminou o cantico final, as pessoas deixando a igreja e eu ali. Não conseguia me mover. Como sentia-me bem na presença de Deus. Como é bom receber o Sacramento do Amor.

Quando sai da igreja, não sabia para onde deveria (ou queria) me dirigir.
Creio que recebi uma "gota" do que nossos irmãos que estão na Visão Beatífica recebem infinitamente.

Graças e louvores se dêem a todo momento. Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.