quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Chorando com Cristo

Não desprezes o pecador, porque todos nós somos culpados. Se por amor a Deus te insurges com ele, em vez disso chora por ele. Por que o desprezas? Despreza os seus pecados, e reza por ele, para fazeres como Cristo, que não Se irritou contra os pecadores, mas rezou por eles (cf. Lc 23,34). Não viste como Ele chorou sobre Jerusalém? Porque também nós, mais do que uma vez, fomos joguetes do demônio  Por quê desprezar alguém que foi, como nós, joguete do diabo que troça de todos nós? Porque desprezas o pecador, tu, que não passas de um homem? Será porque ele não é justo como tu? Mas onde está a tua justiça, uma vez que não tens amor? Por que não choraste por ele? Em vez disso, persegue-o. É por ignorância que alguns se irritam contra os outros, eles que acreditam ter o discernimento das obras dos pecadores.

Santo Isaac, o Sírio (século VII), monge em Nínive, perto de Mossul 
Discurso ascético, 1 ª Série, n º 60 


Sobre Santo Isaacpoucos católicos no ocidente conhecem a santidade e a riqueza espiritual desse monge. Se por um lado seus escritos são focados na necessidade das lágrimas e do arrependimento, por outro, poucos foram capazes de expressar tão bem o amor e a misericórdia de Deus até então. Sua homilias e escritos confortarão todas as almas afligidas pelo pecado.

           Sentinela no Escuro

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Escolas e professores podem ser processados por danos morais causados aos alunos

Com abertura de processo contra escolas e professores, baseado no art. 12 da Convenção Americana dos Direitos Humanos (Brasil é signatário), gerando multas de  20 mil reais (ou mais), podemos ver uma luz no fim do túnel.

"Nosso conselho é processar por danos morais as escolas e os professores que transmitirem aos seus filhos conteúdos que se chocarem com os seus valores e convicções. Além do dano moral causado aos seus filhos – o que precisa ser avaliado caso a caso –, há o dano decorrente da violação a sua autoridade moral. Em situações como essas, dependendo do caso, as indenizações podem passar de R$ 20 mil.
Ou, se quiserem agir preventivamente, ajuízem, com base no art. 12 da CADH, ações para que as escolas e os professores dos seus filhos sejam obrigados a se abster, sob pena de multa, de veicular conteúdos morais nas disciplinas obrigatórias..."


Leia na íntegra o artigo do advogado Miguel Nagib, coordenador do grupo Escola Sem Partido, no Jornal Gazeta do Povo:


Conteúdo imoral na escola



Texto da Convenção Americana sobre os Direitos Humanos:

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Academia da Latinidade criada por Bento XVI


2012-11-10 Rádio Vaticana

Bento XVI instituiu neste dia 10 de Novembro com Carta Apostólica “Motu Próprio” a Pontifícia Academia de Latinidade, dependente do Conselho Pontifício para a Cultura. 

Na base da instituição desta Academia está o facto de a língua latina, antes tida em alta consideração na Igreja católica, estar hoje a correr o risco de sair das esferas de atenção, mesmo no âmbito dos estudos filosóficos e teológicos dos futuros padres. Isto devido à diminuição do interesse, na cultura contemporânea, pelos estudos humanísticos. Mas, sublinha o Papa, neste mundo que dá grande valor à ciência e à tecnologia, nota-se, ao mesmo tempo, um renovado interesse pela cultura e pela língua latinas. E isto não só em países que afundam as próprias raízes culturais na herança greco-romana, como também noutras nações de tradições diferentes. Tal interesse envolve seja académicos e instituições, seja jovens e estudiosos de várias partes do mundo. Daí a urgência – escreve o Papa – de apoiar o empenho no sentido dum maior conhecimento e dum uso mais competente da língua latina, tanto no meio eclesial, como no mais vasto mundo da cultura.

Para dar relevo a este esforço, é oportuno adoptar métodos didácticos apropriados às novas condições e à promoção de uma rede de relações entre Instituições Académicas e entre estudiosos, a fim de valorizar o rico e multiforme património da civilização latina. Foi, portanto, para ajudar na concretização destes objectivos que Bento XVI na linha dos seus predecessores instituiu esta Pontifícia Academia de Latinidade, com um próprio Estatuto experimental por um período de cinco anos.

Com a criação desta nova Academia, a Fundação Latinitas, constituída pelo Papa Paulo VI, a 30 de Setembro de 1976, é extinta – escreve Bento XVI no referido Motu Próprio. A nova Academia será regida por um Presidente e um Secretario nomeados pelo Papa e ainda por um Conselho Académico. 

Fonte: NEWS.VA

A música sacra pode favorecer a fé


Bento XVI à Associação Italiana Santa Cecília

Imagem: Associação de Adoradores do Santíssimo Sacramento
«A música sacra pode favorecer a fé e cooperar para a nova evangelização». Disse o Papa aos participantes no congresso nacional das Scholae cantorum organizado pela Associação Italiana Santa Cecília, recebidos sábado 10 de Novembro, na Sala Paulo VI. Falando do primeiro aspecto, o da fé, Bento XVI repropôs a vicissitude de Santo Agostinho «para cuja conversão contribuiu a escuta do cântico dos Salmos e dos hinos, nas liturgias presididas por Santo Ambrósio. De facto, se a fé nasce sempre da escuta da Palavra de Deus – explicou – não há dúvida de que a música e sobretudo o canto confere à recitação dos salmos e dos cânticos bíblicos maior força comunicativa». E entre os carismas de Ambrósio «havia precisamente o de uma aguda sensibilidade e capacidade musical». Quanto à relação entre canto sacro e nova evangelização, o Pontífice reevocou a experiência do poeta francês Paul Claudel, que se converteu ouvindo o hino do Magnificat durante as vésperas de Natal
 
11 de Novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012


Comentário ao Evangelho segundo S. João 2,13-22, por Santo Aelredo de Rielvaux (1110-1167), monge cisterciense

Sermão 8 para a a festa de São Bento 

Ouvimos muitas vezes dizer que Moisés, depois de ter conduzido Israel para fora do Egipto, construiu no deserto um tabernáculo, uma tenda de santuário, graças às doações dos filhos de Jacob. [...] É preciso ver, como diz o apóstolo Paulo, que tudo isso era um símbolo (1Co 10,6). [...] Sois vós, meus irmãos, que sois agora o tabernáculo de Deus, o templo de Deus, como explica o apóstolo: «O templo de Deus é santo, e esse templo sois vós.» Templo onde Deus reinará eternamente, vós sois a Sua tenda, pois Ele acompanha-vos no caminho; Ele tem sede em vós, tem fome em vós. Essa tenda continua a ser transportada [...] pelo deserto desta vida, até chegarmos à Terra Prometida. Então a tenda tornar-se-á Templo e o verdadeiro Salomão dedicá-lo-á «durante sete dias mais sete dias» (1R 8,65), isto é, durante o duplo repouso [...] da imortalidade para o corpo e da beatitude para a alma.

Mas, de momento, se somos verdadeiros filhos espirituais de Israel, se saímos espiritualmente do Egipto, façamos todos oferendas para a construção do tabernáculo [...]: «Cada um recebe de Deus o seu próprio carisma, um de uma maneira, outro de outra» (1Co 7,7). [...] Que tudo seja, portanto, comum a todos. [...] Que ninguém considere o carisma que recebeu de Deus como seu bem pessoal; que ninguém tenha ciúmes dum carisma que o seu irmão tenha recebido. Mas cada um considere aquilo que lhe pertence como sendo de todos os irmãos, e não hesite em considerar como seu o que é de seu irmão. Segundo o Seu desígnio misericordioso, Deus age para connosco de modo que todos tenhamos necessidade dos outros: o que um não tem, pode encontrá-lo no irmão. [...] «Os muitos que somos formamos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros que pertencem uns aos outros» (Rm 12,5).


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Comunhão heroica - abusos litúrgicos.

Ótimo texto que Daniel Pereira Volpato publicou no Salvem a Liturgia. Podemos tirar proveito dos abusos litúrgicos oferecendo à Jesus o sofrimento que possamos vir a suportar pelos descasos ao Santíssimo Sacramento. 

De grande valia também as palavras do católico J.R.R. Tolkien sobre o assunto. Clique no link abaixo para ler o texto na íntegra:



Beata Chiara Luce Badano, virgem +1990


Chiara  Luce  Badano


  Chiara  Luce  Badano nasceu a 29 de Outubro de 1971, em Sassello,  uma  pequena cidade nos Apeninos. Era a primeira e única filha de Rogero  Badano,  camionista e de Mª Teresa  Caviglia, operária, casados há 11 anos sem  conseguirem  ter filhos. O  pai  pediu  a Nossa Senhora da Rocha a graça da paternidade e viu o seu pedido atendido. A mãe testemunhava  que “mesmo com essa alegria imensa compreenderam logo que ela não era somente sua filha, mas que era antes de tudo, filha de Deus". A mãe deixou de trabalhar para cuidar da filha.

  Chiara  revelou-se  desde cedo uma criança inteligente, viva, desportiva e muito comunicativa. Era conciliadora, mas não abdicava de defender as suas ideias. Recebeu desde cedo uma sólida educação cristã, graças aos pais, mas também à sua integração na comunidade paroquial, cujo pároco lhe dá fascinantes aulas de catequese, e ainda pela influência das amizades que Chiara constrói.

  Aos 9 anos participa num encontro das “Gen 3” do movimento  Foccolare. Aí conhece o ideal da unidade. O Evangelho passa a ser algo dinâmico na sua vida. E decide dizer sempre Sim a Jesus. Torna-se a amiga dos últimos. Deseja partir um dia para África para “curar os meninos”.

  No dia da sua primeira Comunhão recebe um livro com os Evangelhos. Ela própria comenta: "- Como para mim foi fácil aprender o alfabeto, também deve ser fácil viver o Evangelho”.

  Continua os seus estudos de forma normal, sendo uma boa aluna. Frequenta o liceu clássico. Participa nas actividades do Movimento Foccolare. Mas um  dia, ao jogar ténis, tinha então 17 anos, sente uma dor aguda no ombro. Inicialmente nem ela nem os médicos dão grande importância ao facto. Mas as dores continuam e são necessários exames mais profundos. O diagnóstico é devastador: sarcoma  osteogénico  com metástese,  um dos tipos mais graves e dolorosos de tumor.

  Chiara  acolhe a notícia com coragem: - Eu vou vencer! Sou jovem.

    Os tratamentos começam e durante eles o altruísmo de Chiara chama a atenção. Sai da cama par ajudar uns e outros. Certo dia foi uma toxicodependente deprimida que a fez saltar do leito, apesar das intensas dores. Enfrenta depois duas operações. A quimioterapia provoca a queda do cabelo o que a faz sofrer bastante. Perante cada etapa do sofrimento vai repetindo : - Por  ti, Jesus!”


  A um amigo, que partia para África, ela dá todo o dinheiro que havia economizado, dizendo :

  - Para  mim não serve. Eu tenho tudo!

  Ao longo da doença nunca se revolta. Passa a aceitar todos os padecimentos, dizendo a Jesus: - Se tu o queres, eu também o quero, Jesus!

  No dia 19 de Julho de 1989, enfrenta uma forte hemorragia e quase morre. Nessa ocasião diz:

  - Não  derramem  lágrimas por mim. Eu vou para Jesus. No meu funeral, não quero pessoas que chorem, mas que cantem forte.

E com a mãe prepara esse acontecimento  chamando-lhe “A festa das núpcias” . Explica à mãe como quer ser vestida, escolhe as músicas os cantos e as leituras para a ocasião. E recorda-Lhe : - Quando me estiveres a preparar, mamã, deves repetir: "Agora  Chiara  Luce a está a ver  Jesus”.

   Não  pede mais a saúde, mas a capacidade de fazer  a vontade de Deus até ao fim.

  No Domingo 7 de Outubro de 1990, na companhia dos pais, aconteceu  o momento do encontro com o seu  “Esposo”. Duas mil pessoas estiveram presentes no funeral. Fala-se de paraíso, de alegria, de escolha radical. Na homilia, o bispo que presidia diz: - Eis o fruto de uma família cristã e de uma comunidade de cristãos.

  Os que a conheceram sentem-se impulsionados a viver com radicalidade o Evangelho. É uma santidade contagiosa.

  No dia 25 de Setembro de 2010, foi beatificada em Roma pelo Papa Bento XVI.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A ditadura da pedagogia

Autor da caricatura: Prof. Carlos Ramalhete.

Quem quer que já tenha sido submetido a aulas de pedagogia – por exemplo, em um curso de licenciatura – já conhece esta malsã concocção de marxismo aguado com psicologia rogeriana diluída em proporções homeopáticas, regada com farta dose de paulofreirianismo ao molho de Vygotsky mal-compreendido, com o resultado final modelado na fôrma de bolo de uma vaga versão dietética e politicamente correta do ideário de 1968, decorado com sucata de garrafas PET e polvilhado com um crocante vocabulário inane de “cidadania”, “construtivismo”, “mudança de paradigma”, “transversalidade” e outros termos da moda, normalmente enunciado por senhoras com colares feitos com bolotas grandes. Não, não sei a origem dos colares, mas parece ser uma moda nos meios pedagógicos. Quem conhece sabe do que estou falando.

Na Grécia antiga, onde surgiu o termo, chamava-se “pedagogo” ao equivalente da época do atual motorista do ônibus escolar: pedagogo era o sujeito que levava as crianças ao preceptor, antepassado do nosso professor. Hoje, contudo, o pedagogo é o sujeito que tenta impedir o professor de exercer sua função e ensinar os alunos, cerceando sua atividade e submetendo-a aos ditames de uma visão distorcida do que é ensinar.

Reconhecer a necessidade de uma teoria do aprendizado não implica esquecer que o propósito primeiro deste processo é aprender. No Brasil, contudo, esta atividade-meio – o estudo do processo do aprendizado, uma forma de ajudar o professor a ensinar melhor – substituiu a atividade-fim do ensino, que é o aprendizado. O ensino está nas mãos dos pedagogos, não dos professores. Para que alguém seja professor é necessário que se submeta, no mínimo, a alguns semestres de imersão naquele estranho mundo em que garrafas pet formam um “resgate” ou uma “conscientização” rumo a “um novo paradigma”. Dar aulas, nem pensar. Perceber o óbvio – ou seja, que o professor sabe mais que o aluno, e tem como função levar o aluno a saber algo que não sabia antes – tampouco.

Quando fiz minha primeira licenciatura, passei um semestre nas garras dos pedagogos. Sobrevivi. Quando fiz minha segunda, passei quatro semestres. Dizem que hoje seriam necessários oito semestres; não sei se é verdade, mas é pelo menos verossímil. Afinal, o que passa por pedagogia hoje em dia é tão distante da realidade de sala de aula, tão distante do processo real do ensino e aprendizagem, que é preciso um tempo enorme para conformar uma pessoa sensata àquela distorcida e bizarra visão de mundo.

Na prática, a entrega do sistema educacional aos pedagogos, como qualquer substituição de uma atividade-fim por uma atividade-meio, leva à decadência da atividade-fim. Imaginemos que, em um surto de loucura, o mesmo ocorresse em outra área. Bom, para que uma fábrica de automóveis funcione, é preciso que ela tenha um serviço de limpeza eficiente. Os faxineiros têm que saber, por exemplo, que não podem aspergir desengraxante nas engrenagens de uma máquina, que há peças pequenas que não podem ser jogadas fora etc. Sem um bom serviço de limpeza, a fábrica acaba parando.

Do mesmo modo, sem que se tenha uma noção real de como se aprende, um professor não tem como ensinar; lembro-me de um professor que tive, que passava as aulas recitando um caderno com o texto que ele havia escrito. Na prova, cobrava apenas que completássemos as lacunas. Lacunas aleatórias, a completar de modo preciso: quem escrevesse “mas” no lugar de “porém” errava a questão; só passava quem decorasse inteirinho o tal caderno. Este sujeito precisaria de noções de pedagogia real.

Mas e se a fábrica decidisse que os faxineiros, com sua atividade-meio, coordenassem tudo, em detrimento da atividade-fim de produção? E se os faxineiros, com suas prioridades e interesses, fossem os gerentes da fábrica? Não sairia um só automóvel da linha de montagem, mas a fábrica estaria sempre limpinha, brilhante mesmo... Pois bem, pedagogos dirigindo o ensino são como faxineiros tomando conta da fábrica de automóveis: ninguém aprende nada, mas que auto-estima têm os alunos!

Ao cabo dos 12 ou 13 anos que passam nos bancos escolares, a regra é os alunos saírem analfabetos funcionais, mas com uma auto-estima grande o suficiente para acharem que merecem prêmios por simplesmente existir e um compromisso pessoal com uma “mudança de paradigma” – não que saibam qual era o anterior, ou sequer o que venha a ser um paradigma, mas aí já seria querer demais, não é mesmo? Aprender palavras difíceis já pareceria demais com o temido ensino tradicional...

Autor: Carlos Ramalhete, filósofo, teólogo, professor, fotógrafo.